28/10 – 30º domingo do Tempo Comum

25/10/2018
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 Ver de forma nova– Mc 10,46-52 – Marcos narra a cura do cego Bartimeu. Este texto do 30º domingo do TC relata o episódio da etapa final do caminho de Jesus para Jerusalém. Encerra a “cartilha do discipulado”, própria de Marcos, que vai de Mc 8,22 a 10,52. Na narrativa que segue, Jesus entra em Jerusalém, acompanhado do cego curado. Bartimeu é figura emblemática de nossas cegueiras. Vivemos muitas vezes como cegos, à beira do caminho, sem ver a luz de Jesus e de seu Evangelho. Ficamos “sentados”,  sem iniciativas, não abandonando nossa “zona de conforto. Ainda mais: “pedindo esmolas”. Isto nos deixa  “à beira do caminho”. “Caminho” é lugar de movimento, de iniciativas, de ação, de caminhada. Não fomos feitos para ficar “a  beira do caminho”, deixando para outros decidirem nossos destinos. Estamos vivendo esta experiência neste dia das eleições em segundo turno. A cegueira nos impede de ver a luz que passa pelo caminho. O que fazer? Apesar de cego, Bartimeu ficou sabendo que Jesus estava por passar pelo caminho de sua vida. Não pode perder esta oportunidade e começa a gritar. Talvez ele não soubesse rezar as orações determinadas a todo bom judeu, não podia ler os salmos e nem frequentar o templo pois, sendo cego, era considerado impuro, pecador. Seu grito  é pessoal, não de fórmulas prontas:  “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”. Escandaloso é que os seguidores de Jesus o repreendem. Não querem deixar o pobre clamar. Assim ontem assim hoje. Clamor de pobre é desordem, incomoda. Como Jesus ouve sempre o clamor do pobre, manda chamá-lo. Parece que agora os seus querem tirar vantagem junto de Jesus e vão logo dizendo: “Coragem, levanta-te, porque ele te chama”. Bartimeu dá um salto,  larga o manto, deixa para traz tudo o que possuía e sai ao encontro de Jesus. Continua ainda cego, mas o desejo de ver é mais forte. Jesus lhe pergunta sobre seu real desejo: “Mestre, que eu possa ver novamente”. Pela frase dita, supõe-se que Bartimeu não foi sempre cego. Quer “ver novamente”, ou seja quer “ver de novo”. Este clamor pode também ter  sentido de “ver de forma nova”.  Ver de forma nova é o grande desafio para quem foi afetado pelo vírus de uma ideologia  antievangélica,   que provoca a enfermidade do individualismo, da violência, da autorreferencialidade, tornando-se incapaz de ver que há luz nova passando pelo caminho. Que o bom Deus nos recupere a capacidade de ver bem neste dia de eleições brasileiras. Ir. Zenilda Luzia Petry –FSJ