3º domingo do Advento – 16/12/2018

13/12/2018
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A virada da História – Lc 3,10-18 – Estamos celebrando o 3º domingo do Advento e o Evangelho deste dia está em continuidade ao do 2º domingo. Lucas, um artista da Palavra, inicia o Capítulo terceiro faze16/12/ndo uma contextualização histórica, no qual informa os senhores do poder político e religioso da época na qual João Batista entra em ação (cf. Lc 3,1-6). A Palavra de Deus foi dirigida ao Batista, que vivia no deserto, e não àqueles que usufruíam da vida nos palácios da cidade ou do prestígio e exploração do Templo. A religião oficial confirmava a ideologia davídica, que doutrinava que a salvação viria do poder político e religioso. João Batista está na contramão desta ideologia. Vai ao deserto e seu testemunho de vida é de sobriedade absoluta no vestir e alimentar-se. Enquanto os grandes se vestem suntuosamente e se banqueteiam, ele se alimenta de “gafanhotos e mel silvestre” e se reveste de “peles de animais”. E seu testemunho de vida e sua fé lhe dá autoridade de “gritar no deserto”.  É preciso mudar, não se pode continuar assim, é preciso uma virada na história. De acordo com Lucas, alguns se sentiram questionados e se aproximaram com uma pergunta: “o que podemos fazer”? Trata-se mesmo de “fazer” as coisas de modo diferente e a mudança começa no nível pessoal. A religião oficial do Templo e da Sinagoga estava alicerçada  no sistema de sacrifícios, no cumprimento exato das prescrições da Lei, na garantia da pureza legal, na vinda de um Messias de ascendência real, com grande poder para dominar toda a terra. João Batista não convida o povo para uma prática religiosa oficial, nem convida a ir ao deserto e levar uma vida de penitência, como ele. Também não aponta o Templo e a Lei como condição de salvação.  O caminho para Deus será preparado por uma vida simples, pela construção de uma sociedade mais solidária e fraterna, menos injusta e violenta.  Ele não se dirige às vítimas do sistema, mas aos responsáveis por aquele estado de coisas. Aos que “tem duas túnicas’  e podem comer. “Quem tem duas túnicas, reparta com quem não tem. E quem tem comida, faça a mesma coisa” (v.11). O Batista não propõe ritos sagrados, nem normas, nem preceitos. A primeira coisa não é cumprir os deveres religiosos, mas viver de forma mais humana, reavivar o desejo de uma vida mais digna, justa, respeitosa e fraterna. Quanta força de atualidade no Evangelho deste dia! Estamos encerrando uma semana de acontecimentos trágicos na nação brasileira. Apenas para citar alguns: denúncias e mais denúncias de corrupção de quem se autoproclamou defensor da ética e da honestidade; incêndio criminoso numa comunidade das periferias  de Curitiba, com mais de 300 casas destruídas; assassinato de lideres sindicais no Nordeste;  tiroteio e mortes na catedral de Campinas, SP, e tantos outros silenciados ou limitados nos noticiários. Que novos batistas levantem sua voz profética contra os desmandos que assolam nossa sociedade. Que o Natal nos ajude a realizar a “virada da história”. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ