4º domingo do Tempo Comum – 03/02/2019

31/01/2019
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A rejeição do profeta – Lc 4,21-30 – O 4º domingo do Tempo Comum nos traz uma narrativa evangélica de extrema atualidade. Segundo Lucas, Jesus, após uma breve jornada fora de seu povoado, voltou para Nazaré e, como todos os de sua aldeia, foi na Sinagoga celebrar o “shabat”, o sábado. Nazaré era então um pequeno povoado do interior da Galileia, onde todos conheciam todos. Conheciam o carpinteiro José e sua esposa Maria, e viram o seu filho crescer, brincar, estudar. Podemos supor que seus colegas de infância e adolescência até estivessem na Sinagoga. Talvez houvesse recordações cômicas ou  de desentendimentos em brincadeiras, tão próprias de crianças normais. Neste ambiente da sinagoga Jesus se levanta e assume a liderança para a leitura. Escolhe e  lê  um texto que revela  como ele assume sua missão. “Na sinagoga todos tinham os olhos fixos nele”. O evangelho informa que todos estavam admirados. Só não sabemos se esta admiração é de encanto ou de espanto. Talvez esperassem a leitura de outro texto, mais apropriado para aquele encontro sinagogal. Afinal, sua fama já havia se espalhado por onde andara e tinham curiosidade por saber qual a novidade que este conterrâneo famoso trazia. Pela reação dos presentes, parece que gerou decepção entre os seus. Apresentou-se como “enviado de Deus”, como “profeta”, com uma proposta na contramão dos que tinham outras expectativas. Afinal, alguém para assumir a função profética não poderia ser “um deles”. Também os moradores de Nazaré certamente sabiam o que acontecia com alguém que se posicionasse desta forma. Poderia resultar em perseguição e morte.  Afinal, Séforis, lugar onde havia um destacamento militar romano, era próximo de Nazaré e ocorriam crucificações públicas de rebeldes. Jesus, porém, não amenizou seu anúncio. Revelou claramente suas opções e sua fidelidade ao Pai que olha com ternura e compaixão para os doentes, os pobres, os excluídos.  A rejeição por este tipo de profeta foi imediata e ela veio de onde se esperaria apoio, adesão e confirmação. Começa assim o seu caminho para o Calvário, realidade que acompanha a sua trajetória  e a de todos os que se põem no caminho do seguimento de Jesus, na fidelidade ao Pai. ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ