5º Domingo do Tempo Comum

07/02/2019
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Aglomerar-se para ouvir a Palavra – Lc 5,1-11 – O ano Litúrgico segue seu percurso e o Evangelho de Lucas avança na revelação da pessoa e do mistério de Jesus e do seu Reino. Há uma mudança de cenário e de pessoas em relação ao texto do domingo anterior. Então estivemos em Nazaré, aldeia da origem, dos familiares e conhecidos de Jesus. O cenário desta narrativa é outro: Jesus está às margens do lago de Genesaré, onde se encontra um grupo diferente de pessoas. Tudo indica serem trabalhadores, pescadores, uma vez que há “dois barcos” ali. As pessoas “se aglomeravam para ouvir a Palavra”, não o rejeitam como em Nazaré. Quanta diferença de cenário! Em Nazaré Jesus sofre rejeição profunda, inclusive a tentativa de precipitá-lo do monte para matá-lo. Às margens do lago encontra pessoas simples, abertas, ansiosas por “ouvir a Palavra de Deus”. Jesus não perde a oportunidade de ser o grande anunciador da “Palavra”. A cena é merece atenção. Jesus não está na Sinagoga, como fez em Nazaré, nem no Templo de Jerusalém, como o fará outras vezes. Está no meio da natureza, lugar de trabalho dos pobres. Entra num barco para falar. Fala a “partir das águas”, e não de um púlpito. Sua linguagem é simples, alegre, cativante. Terminando seu ensino, ordena que Pedro a “vá para águas mais profundas”. Como sempre, Pedro manifesta dificuldade em compreender o sentido mais profundo das palavras de Jesus. Justifica dizendo que “pescaram a noite inteira” e nada apanharam. O primeiro nível de compreensão dele é sempre em sentido material, concreto. Como cada um de nós, Pedro tem dificuldade de “atravessar” o sentido literal e mergulhar nas “águas mais profundas” da Palavra. Como se trata de um belo texto catequético, o personagem Pedro, “em obediência à Palavra”, lança as redes. Diante da magnitude da força da Palavra, Pedro se inclina e reconhece sua real condição de fraqueza.  “Ir para as águas mais profundas” é um processo existencial de todos aqueles que “se aglomeram para ouvir a Palavra”. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ