2º Domingo do Tempo Pascal

09/04/2026

“Mostrou-lhes as mãos e o lado”-  Jo 20,19-31 – O segundo domingo do tempo pascal foi proclamado pelo Papa João Paulo II  como  o domingo da Divina Misericórdia. A liturgia desse dia convida-nos a contemplar o mistério da nova comunidade que nasce do lado aberto de Jesus e que jorra em fontes de misericórdia. Sustentada pela ressurreição de Jesus, a Igreja recebe a missão de ser testemunha do amor e da misericórdia de Deus por toda a terra. A primeira leitura, do livro dos Atos dos Apóstolos, apresenta uma “comunidade modelo”. São traços de uma comunidade ideal: unida e fraterna, onde os bens são partilhados e onde todos estão atentos às necessidades dos outros irmãos. Caracteriza-se ainda pela escuta da Boa Notícia de Jesus, unida na “fração do pão” e oração Na segunda leitura, da carta de Pedro, o autor lembra a todos os batizados, que sua condição de pessoas novas,  beneficiárias da misericórdia de Deus, os leva a caminhar com uma “esperança viva”. O Evangelho apresenta a nova comunidade que se reúne à volta de Jesus ressuscitado. Quem quer “ver” e “tocar” em Jesus, deve procurá-lo na comunidade. Olhemos o relato mais de perto. Do ponto de vista literário, o texto divide-se em três partes. A primeira narra um encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos. Na segunda parte, o relato gira em torno da figura de Tomé. Há uma terceira parte no qual o evangelista revela a meta do seu Evangelho. Iniciemos olhando a situação em que estavam os discípulos. Em linguagem figurada, o evangelista informa: o “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo”, símbolo da insegurança e desamparo diante do mundo hostil que condenou Jesus à morte. Subitamente o próprio Jesus apresenta-se “no meio deles”. O crucificado está vivo; a morte não o derrotou. A esta comunidade que se reúne à sua volta, Jesus transmite duplamente a paz. Não se trata de uma saudação social A Paz significa que Jesus venceu tudo aquilo que assustava os discípulos: a morte, a opressão, a mentira, a violência, a hostilidade do mundo. Doravante eles não têm qualquer razão para viverem paralisados pelo medo. Depois Jesus revela como que a sua nova “identidade”: mostra aos discípulos as “mãos” com a marca dos pregos e o “lado” que foi trespassado pela lança do soldado. É nesses sinais de amor e de doação plena que a comunidade, repleta de alegria, reconhece Jesus vivo e presente. A seguir, convoca os discípulos para a missão: realizar no mundo a obra de Deus, impulsionados pelo Espírito Santo. Jesus “soprou” sobre eles. A narrativa segue com a catequese sobre a maneira de se chegar a fé. O personagem modelo é Tomé. É o “primeiro dia da semana”, quando a comunidade está reunida. Jesus surpreende com sua presença. Tomé “não estava com eles”. Estava fora da comunidade. “Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu lado, não acredito” – diz Tomé quando lhe falam do Ressuscitado. Quer uma revelação pessoal, singular, particular. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios, que não fazem caso do testemunho da comunidade e que, por isso, nem percebem os sinais de Vida nova. Mas oito dias depois, Tomé está integrado na comunidade. Faz uma experiência tão impactante que o leva a render-se e confessar a fé de modo único: “Meu Senhor e meu Deus!” Um ato de fé sem igual, em toda a Sagrada Escritura. Antes de concluir o relato, o narrador, de forma sintética, informa as razões do seu escrito: Muitos outros sinais fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome”. Quem crer em Jesus, em sua nova identidade de “crucificado”, cujos sinais permanecem mesmo após a ressurreição, tem a vida eterna. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ