FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR

02/01/2026

Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” – Mt 2,1-12 –A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus ao mundo, ou seja, é a festa da Epifania do Senhor. A primeira leitura, do livro do profeta Isaías, anuncia a chegada da luz salvadora de Deus. A profecia, antecipando a estrela vista pelos sábios do oriente, anuncia que a luz transfigurará a cidade de Jerusalém e atrairá povos de todo o mundo. A segunda leitura, da carta de Paulo aos Efésios, apresenta o projeto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos. No Evangelho, vemos a concretização dessas promessas: uns “magos” do oriente, que representam todos os povos da terra, vêm ao encontro de Jesus. Atentos aos sinais, esses “magos” percorrem longos e difíceis caminhos, dirigindo-se ao palácio de Herodes, com a grande pergunta: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” Se é o ‘rei dos Judeus’ que acaba de nascer, certamente é um descendente de Herodes que então ali reinava: conclusão da lógica humana. Assim parecer ser natural que o palácio seja o lugar do nascimento do novo Rei. No relato do evangelista, curiosamente, os magos não viram o sinal ali no palácio. Vão rever a estrela na periferia, num casebre, iluminando um cenário diferente. O episódio da visita dos magos ao Menino de Belém, narrado pelo evangelho de Mateus, é um relato de grande beleza e que se tornou muito popular; foi enriquecido com muitos detalhes que não estão no texto de Mateus. Entrou até no folclore brasileiro sob o título de “Folia dos Reis”. Olhando a narrativa mais de perto, pode-se perceber que não se trata de um relato histórico. Mateus insiste em citar Belém, terra ligada ao rei Davi. Os anúncios proféticos falavam do Messias como descendente de Davi, que iria restaurar o reinado deste Rei; logo, virá de Belém. Outro detalhe importante é a referência a uma estrela que apareceu no céu e que conduziu os magos a Belém. É inútil investir em pesquisas astronômicas para situar historicamente o aparecimento desta estrela. Mateus está dizendo que o “Menino de Belém” é a “Estrela de Jacó” anunciada pelos profetas. Temos também a figura dos “magos”, vocábulo que pode ser atribuído a diversos personagens: mágicos, feiticeiros, sacerdotes, astrólogos. Personagens e ações revelam importantes ensinamentos. Na narrativa do Evangelho de Mateus, os magos representam os povos estrangeiros que buscam o Messias Salvador e oferecem seus (simbólicos) presentes. Além de revelações sobre quem é Jesus, a narrativa mostra duas atitudes que percorrem todo o Evangelho de Mateus: rejeição e acolhida! As elites religiosas do Povo de Israel rejeitam Jesus, enquanto os “pagãos” o adoram. “Herodes e Jerusalém ficam perturbados” diante da notícia do nascimento de Jesus e planejam sua morte, enquanto os pagãos se alegram e vão ao seu encontro. Os judeus estão instalados em suas tradições;  os pagãos percorrem difíceis caminhos para encontrar Jesus. Não conhecem as Escrituras como os judeus, mas estão atentos aos “sinais” e percebem que Jesus é a luz que traz a salvação. Ele não é encontrado nos palácios, mas nas periferias geográficas e existenciais. De ontem e de hoje. Este é o “Rei que acaba de nascer”. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ