Batismo do Senhor
“Este é o meu Filho muito amado” – Mt 3,13-17 – A liturgia deste domingo celebra o Batismo de Jesus. Mais do que celebrar o ato do Batismo em si, feito por João Batista, um batismo de purificação, o destaque é o céu que se abre e a voz do Pai revelando que Jesus é o “Filho Amado de Deus”, no qual o Pai depositou todo o seu bem-querer”. A primeira leitura, do livro do profeta Isaías, anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus, para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim. Ele vai realizar sua missão a modo de “servo”, na humildade e simplicidade, sem usar os recursos da violência. A segunda Leitura, um texto do Livro dos Atos, reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar o projeto de salvação e Ele “passou pelo mundo fazendo o bem”. O relato evangélico é a porta de entrada da concretização deste grande projeto. O cenário da narrativa é o vale do rio Jordão, próximo do deserto de Judá. Na época, era um lugar de passagem dos peregrinos que vinham da Galileia para Jerusalém. O Vale do Jordão é muito simbólico para os judeus que realizavam ritos de imersão em suas águas. Neste local, João Batista iniciou uma missão especial: pregava a urgência de conversão e realizava um rito de perdão dos pecados. Jesus, que vivia na sua aldeia de Nazaré, na Galileia, ouviu falar de João e da sua pregação. Procurou-o nas margens do rio Jordão, escutou o seu apelo à conversão e quis também receber o batismo. Olhando mais de perto o Evangelho, vemos claramente dois cenários: num primeiro temos o diálogo entre João Batista e Jesus e num segundo, o anúncio sobre Jesus como o “Filho muito amado” de Deus. O diálogo entre Jesus e o Batista encontra-se somente em Mateus. O Batista terá ficado confuso ao ver o Messias esperado, Jesus, no meio do povo pecador para ser batizado. “Eu é que preciso de ser batizado por Ti, e Tu vens ter comigo?”. Jesus insiste que deve ser assim, para se cumprir o Projeto do Pai. Que projeto é este? Ao entrar na água para o batismo de penitência e de perdão dos pecados, Jesus solidariza-se com toda a humanidade limitada e pecadora, coloca-se ao seu lado para os ajudar a sair dessa situação. Mostra estar disposto a percorrer o caminho que leva à vida nova e plena. Este comovente gesto solidário de Deus para com a humanidade pecadora faz os céus se abrirem e o Espírito Santo descer sobre Jesus. Uma voz vem do céu e se faz ouvir a proclamação mais solene da história: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. São três elementos simbólicos de suma relevância aqui presentes: “os céus se abrem”. Realiza-se uma súplica profética antiga: “que os céus se abram”!. A relação com Deus estava interrompida pelo pecado e a humanidade, na experiência de céus fechados, clama por estar em comunhão com o divino. O segundo elemento é a descida do Espírito Santo. Este sopro divino que “pairava sobre as águas” na criação, agora desce, em forma de pomba, sobre Jesus, sinal de uma nova criação. O reino de Deus é o mundo novo que Jesus veio implantar. Ainda temos um terceiro elemento decisivo: a ‘voz vinda do céu’. O silêncio do Pai foi rompido. Os céus se abriram, o Espírito desceu e o Pai falou. A Trindade foi plenamente revelada no Batismo de Jesus. E a Palavra de Deus foi dirigida diretamente a nós, declarando que Jesus é Seu Filho amado. A nós cabe ouvi-lo e segui-lo. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ