2º Domingo do Tempo comum
“Ora eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus” – Jo 1,29-34 – Liturgicamente iniciamos o Tempo Comum, período este que, após alguns domingos, é interrompido pelo tempo da Quaresma e da Páscoa. Após a festa de Pentecostes, voltamos ao Tempo Comum e assim vamos acompanhado a Missão de Jesus e a missão da Igreja. As leituras que a Liturgia deste domingo nos propõe, recordam que Deus conta conosco para a realização de Sua Obra. A primeira Leitura, do profeta Isaías, recorda a vocação de um “servo de Javé”, escolhido por Deus para ser “luz das nações” e levar a salvação aos “confins de toda a terra”. Na carta aos Coríntios, Paulo lembra que todos os cristãos são chamados a cumprir a missão para a qual Deus os destinou. No Evangelho, João Batista apresenta Jesus: Ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o “Filho de Deus”. Ele recebeu do Pai a missão de oferecer ao mundo a vida nova de Deus. Do ponto de vista literário, o trecho faz parte da secção introdutória do Quarto Evangelho. No relato deste domingo, o autor faz a apresentação da pessoa de Jesus. O cenário da narrativa é Betânia, uma povoação situada perto de Jericó e até agora não identificada. Não se trata de Betânia, onde viviam Marta, Maria e Lázaro, situada próximo de Jerusalém, mas do lugar onde os hebreus, libertados do Egito, “passaram” para a Terra Prometida. Neste cenário, Betânia tem o sentido de “casa da passagem”. Certamente trata-se de um lugar carregado de simbolismo para a mensagem teológica do evangelista. João Batista apresenta Jesus por meio de três afirmações: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; Jesus é o Filho de Deus que possui a plenitude do Espírito; Jesus é Aquele que vem batizar os homens. A afirmação de que Jesus é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, certamente é eco da profecia de Isaías, do “servo sofredor”, do “cordeiro levado ao matadouro”, que entregou sua vida e sofreu para salvar todas as gentes. O “cordeiro de Deus” veio para tirar “o pecado do mundo”. Trata-se do “Pecado” e não dos “pecados”. O grande pecado do mundo é a recusa da proposta de vida do projeto de Deus, Desta recusa é que se instala no mundo todo o mistério da iniquidade. A segunda afirmação é que Jesus é o Filho de Deus que possui a plenitude do Espírito. João, o “Batista”, compreendeu que Jesus é o Filho de Deus quando, certo dia, viu “o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar” sobre Jesus. Animado pelo Espírito de Deus, o Messias irá concretizar a sua missão à maneira do Servo de Javé. A terceira afirmação é que Jesus é Aquele “que vai batizar no Espírito”. Ele irá comunicar às gentes o Espírito de Deus e, dessa forma, transformar em “Pessoas Novas”. O testemunho do Batista convida todos os seres humanos de todas as épocas a acolherem a proposta libertadora de Jesus. Só a partir do encontro com Jesus será possível chegar à vida plena. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ