3º Domingo do Tempo Comum

22/01/2026

 

 “O reino de Deus está próximo” – Mt 4,12-23 – A liturgia deste domingo nos faz saborear o projeto de salvação se concretizando. Na primeira leitura, o Profeta Isaías anuncia que Deus fará brilhar uma luz por cima dos montes da Galileia, território dominado pelo imperialismo da Assíria. O profeta busca cultivar a esperança do povo que se vê mergulhado nas trevas da dominação e da exploração. Na segunda Leitura, Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, alerta os cristãos a serem fiéis aos compromissos que assumiram quando decidiram seguir Jesus. Os cristãos devem anunciar a boa nova e não viver em meio a disputas e divisões. O Evangelho mostra que Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia, cujos habitantes vivem “na sombria região da morte”. Contextualizando o relato, temos que, após seu batismo, Jesus não voltou para Nazaré, mas voltou para a Galileia, estabelecendo-se em Cafarnaum, longe de Jerusalém, lugar de menos controle das autoridades judaicas. Cafarnaum era rota de passagem de mercadorias vindas do Oriente. Tinha alfândega e guarnição romana, entidades de controle econômico e de segurança política. Parte dos habitantes viviam da agricultura e da pesca. Jesus terá se instalado nesta cidade pela sua situação estratégica. A partir dela, Ele podia facilmente chegar a outras regiões da Galileia, das cidades fenícias,  até mesmo aos territórios pagãos da região da Decápole. Desde o primeiro momento, Jesus revelou sua paixão pelo Reino. A mensagem que começou a anunciar dirigia-se, antes de tudo, aos pequenos, aos desprezados, aos esquecidos, aos pobres, aos camponeses, aos pescadores de Israel. Também aos pagãos era anunciado o Reino. Para Mateus é muito significativo que o primeiro anúncio de Jesus ecoe na Galileia, terra onde os gentios se misturam com os judeus e, concretamente, em Cafarnaum, porta aberta para as terras dos pagãos. O núcleo central da pregação de Jesus era uma realidade a que Ele chamava “o Reino de Deus”. A expressão “Reino de Deus” – ou “Reino dos céus”, segundo Mateus – é a grande paixão de Jesus. Sem nunca definir ou explicar, Jesus vai de encontro às aspirações mais profundas do Povo de Deus. A utopia do Reino acompanhava o povo ao longo de sua história. Viver sob o reinado de um “rei” justo, fiel, misericordioso, que liberta e salva, que cuida dos pobres, dos órfãos das viúvas, era um sonho cultivado de geração em geração. Jesus tem consciência de que a chegada do Reino de Deus está ligada à sua pessoa. Por isso, começa a percorrer a Galileia e a dizer: “o reino de Deus está próximo”. Se faz necessário, porém, a conversão, ou seja, a reorientação da vida para Deus, uma profunda mudança do coração. Conforme o relato, Jesus passa ao longo do Mar da Galileia, vê Simão Pedro e André, dois irmãos que lançavam as redes ao mar, e convida-os a segui-Lo. Diz-lhes que, doravante, serão “pescadores de homens”. Também chama outros dois pescadores, Tiago e João, irmãos, que deixaram o barco e o pai para seguir Jesus. Consideremos que o relato não é uma descrição de fato ocorrido, mas uma catequese que busca colocar em evidência diversas ensinamentos. Mostra os passos de uma vocação que sempre inicia pelo chamado de Jesus. Salienta a pronta resposta dos vocacionados. Revela que a adesão ao reino de Deus é opção pessoal e é uma realidade exigente. Os discípulos que aceitam seguir Jesus e abraçar o desafio do Reino, trabalharão como “pescadores de homens”. Na cultura judaica, o mar é o lugar dos demônios, das forças da morte que se opõem à vida e à felicidade da humanidade. A tarefa dos discípulos de Jesus será, portanto, libertar a humanidade dessa realidade de morte e de escravidão, conduzindo-os à liberdade e à realização plenas. Feito isto, Jesus, o Messias itinerante, caminha pela Galileia, proclamando o Evangelho do Reino, ensinado e curando. Eis nossa missão de seguidores de Jesus.  Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ