4º Domingo do Tempo Comum
O tesouro do Reino de Deus – Mt 5,1-12 – No quarto domingo do Tempo Comum, do Ano A, temos como que a porta de entrada do Evangelho que nos mergulha na utopia do Reino de Deus. O profeta Sofonias, na primeira Leitura deste domingo, lança o convite a uma vida de pobreza e humildade. Os que não tem segurança nos bens materiais, encontram refúgio e segurança em Deus. Paulo, por sua vez, pede aos cristãos de Corinto que não apostem na sabedoria humana, mas acolham a “loucura da cruz”. No Evangelho temos o maior tesouro do Reino de Deus. Fazendo eco à linguagem frequente na tradição bíblica e judaica temos, nas “bem-aventuranças”, as sentenças que definem o estilo de vida que os seguidores de Jesus devem assumir. Nas bem-aventuranças, Jesus oferece aos seus discípulos um resumo perfeito do Evangelho. Trata-se da abertura do conhecido “sermão da montanha” do Evangelho de Mateus (Mt 5-7), discurso este a ser lido no contexto da pregação sobre o “Reino de Deus”. Jesus proclama “bem-aventurados” os que estão numa situação de debilidade, de pobreza, de aflição: os pobres, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque Deus está a ponto de instaurar o Reino de Deus e a situação deles vai mudar radicalmente. Jesus proclama “bem-aventurados” aqueles que dão testemunho dos valores de Deus: os mansos, os misericordiosos, os puros de coração, os construtores da paz, porque podem fazer parte da comunidade do Reino de Deus e serão chamados filhos de Deus. Olhando mais de perto o texto, pode-se perceber dois blocos: as quatro primeiras “bem-aventuranças” nos colocam diante da realidade humana; as últimas quatro nos apontam para as atitudes que os discípulos de Jesus devem assumir. As quatro primeiras estão relacionadas entre si. Inicia com os “pobres em espírito”, ou seja, os pequenos, os humildes, aqueles que não possuem nada a não ser Deus. As três “bem-aventuranças” seguintes estão relacionadas à primeira: os “que choram”, os “mansos” ou “humildes”, os que “têm fome e sede de justiça”. Os que “choram”, aqueles que, pelas mais diversas razões, vivem mergulhados na aflição e no sofrimento. Os “mansos”, aqueles que recusam a violência como forma de resolver as diferenças e os conflitos. A sua atitude pacífica e bondosa evoca a misericórdia e a bondade de Deus. Os “famintos e sedentos de justiça”, os que desejam cumprir a vontade de Deus, os que só desejam fazer aquilo que Deus considera justo e bom. Um segundo grupo de “bem-aventuranças” está orientado para definir as atitudes que os discípulos de Jesus devem assumir. Os “misericordiosos”, os que têm um coração capaz de se compadecer dos seus irmãos. Os misericordiosos serão felizes porque experimentarão a misericórdia de Deus. Os “puros de coração”, os que são fiéis ao Deus único, que fogem de qualquer forma de idolatria, não cultivam a mentira, a duplicidade e o engano. Esses “verão a Deus”, terão sempre Deus a seu lado, acompanhando-os e ajudando-os no caminho. Os “que promovem a paz”, os que se recusam a aceitar que a violência e a lei do mais forte governem as relações, os que procuram ser instrumentos de reconciliação entre as criaturas humanas. Por fim, os “que sofrem perseguição por amor da justiça”, aqueles que, por causa da sua fidelidade a Deus, são perseguidos, maltratados e condenados; os que lutam pela instauração do Reino de Deus. As “bem-aventuranças” são, de fato, uma das belas proclamações sobre a beleza e a ternura do Reino de Deus. Um discurso a ser contemplado, saboreado e acolhido como o grande tesouro do coração. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ