5º Domingo do Tempo Comum
A missão do discípulo – Mt 5,13-16 – A Palavra de Deus do 5.º Domingo do Tempo Comum, mergulha-nos no desafio da missão que Jesus confia aos seus discípulos: ser “sal” e “luz” do mundo. Ao longo da história do povo, a missão de ser proposta alternativa ao mundo já vinha sendo uma exigência da Aliança. Olhemos para a primeira leitura. Uma profecia atribuída a Isaías, certamente um discípulo do 1º Isaías, nos coloca no tempo do pós exílio, em que se buscava reconstruir o Templo de Jerusalém, destruído pela Babilônia. Os líderes religiosos, que voltaram do exílio, queriam reconstruir o Templo e voltar ao sistema dos sacrifícios. Dedicavam-se às práticas de piedade tradicional da esmola, oração e jejum, rituais vazios e desligados da vida. A Palavra de Deus é dirigida a estes lideres e mostra qual a prática que deve ser assumida, qual o verdadeiro templo a ser construído : Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante”. Estas obras é que fazem a glória de Deus voltar para Jerusalém. “Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia”. No Evangelho temos a continuidade do “Sermão da Montanha”, logo após as “Bem-aventuranças”. Por meio de metáforas, tiradas da vida cotidiana, Jesus dá pistas da missão que vai confiar aos seus discípulos. Os que integram a comunidade do Reino de Deus devem ser “sal da terra” e “luz do mundo”. Com as suas “boas obras”, os discípulos de Jesus devem “dar sabor” à vida e fazer desaparecer as sombras que trazem sofrimento à vida dos seus irmãos. Trata-se sempre do “reino de Deus” que Jesus anuncia com palavras e gestos. A metáfora do sal é muito expressiva. Para nós hoje é algo normal e barato. No tempo de Jesus era algo muito precioso. Era raro e sempre necessário para conservar e dar sabor aos alimentos. A imagem do sal era usada para significar o valor de um contrato, de uma aliança. O sal podia perder sua função de dar sabor, como também ser usado para destruir. Jesus usa a imagem do sal e da luz para definir a missão dos discípulos. Por detrás das imagens do sal e da luz, está a realidade da hostilidade do mundo que Jesus tem presente. Um mundo mergulhado em trevas, em corrupção, violência e injustiças. Neste mundo hostil, os discípulos poderão “fazer a diferença”. Duas imagens simples e surpreendentes definem a missão dos discípulos: “vós sois o sal da terra”, “vós sois a luz do mundo”. Vivendo como “sal da terra” e “luz do mundo”, os discípulos de Jesus serão fermento de uma nova humanidade. Com as suas “boas obras”, anunciarão o mundo que há de vir, realizarão o Reino de Deus. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ