6º Domingo do Tempo Comum

12/02/2026

 “O amor é a plenitude da Lei” – Mateus 5,17-37 – Estamos no 6º domingo do tempo Comum, do Ano A. Na quarta feira desta semana, com o rito das cinzas, iniciaremos o Tempo da Quaresma, grande retiro em preparação à Páscoa, interrompendo assim a sequência do Tempo Comum. A dinâmica e o coração da liturgia é mostrar que nosso destino é a salvação, a vida plena e a felicidade sem fim. Dando continuidade ao “Sermão da Montanha”, Mateus apresenta questões, aparentemente simples, mas que, por tras das palavras, mostram o desafio da correta compreensão da Lei. A primeira leitura, do livro do Eclesiástico ou Ben Sirá, indica pistas para o necessário discernimento e liberdade de escolhas na vida. A vontade de bem viver é algo pessoal, que se assume ou não. O apóstolo Paulo, por sua vez, trata do plano salvador que Deus preparou desde sempre, “para aqueles que o amam”. Ser fiel a este plano, não apenas seguindo a letra da Lei, mas optando pela pessoa de Jesus, por suas palavras e gestos, é obter a salvação, é chegar à plena realização, ao coração do projeto de Deus. No Evangelho Jesus pede aos seus discípulos para irem além da letra da Escritura (“Lei e Profetas”. A generosidade, a gratuidade, o entusiasmo, numa palavra, o amor, realiza e plenifica a Lei, concretiza a dinâmica do Reino. Os membros da comunidade de Mateus, de origem judaica em sua maioria, buscam harmonizar o respeito e carinho que tinham pelas Sagradas Escrituras (a Lei de Moisés) com a novidade apresentada por Jesus: a sua liberdade frente ao sábado, a sua pouca consideração pelas tradições religiosas judaicas, a novidade das suas palavras e dos seus gestos, a forma como Ele acolhia os “últimos”, os mais desprezados. Por detrás destas questões temos a realidade dos líderes religiosos judaicos que acusavam frequentemente Jesus de oferecer uma doutrina revolucionária, herética, contrária à tradição de Israel. Jesus começa por expor a sua posição: “não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar” (cumprir plenamente)”. Ele veio restituir a simplicidade e sentido original dos mandamentos. O legalismo e a sofisticação na interpretação de líderes religiosos fizeram com que se perdesse o sentido originário da Lei. Os pobres, os simples, as mulheres eram excluídos de tudo. Quem, por causa das duras condições de vida, não conseguia cumprir todas as regras (cerca de 613 mandamentos), era condenado como pecador, alguém que estava longe de Deus e da salvação. Esta compreensão da Lei não defendia mais a vida, mas a escravizava. O “legalismo” continha um outro perigo grave: a convicção de que o cumprimento estrito da Lei assegurava a salvação das elites religiosas. Cumpriam fielmente a letra da Lei, sem adesão do coração, sem aprofundar o seu espírito. A relação com Deus e com os irmãos não interessava. Este cenário perpassa todo o Novo Testamento. Paulo será o grande crítico de centralidade da Lei, mas encontramos este confronto entre Jesus e os mestres da Lei em quase todas as páginas dos evangelhos. Jesus, no discurso deste domingo, vai ao coração da Lei: “Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus”. Escribas e fariseus eram mestres da letra da Lei. Os discípulos de Jesus devem ultrapassar a letra para chegar ao coração dos mandamentos, pois sua meta é “entrar no reino dos céus”, onde reinam a vida, a paz, o respeito, o perdão, a reconciliação, a fidelidade, a verdade, a fraternidade. “ A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno.  Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ