5º Domingo da Quaresma
“Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”. – Jo 11,1- 45 – Estamos no 5º Domingo da Quaresma de 2026, com a Campanha da Fraternidade nos convocando à solidariedade para com os sem moradia digna. A Palavra de Deus continua chamando-nos à conversão, ao reencontro com o Deus da vida nova. É tempo de retirar as pedras que nos fecham em nossas sepulturas, de desatar as ataduras que nos prendem à morte, de sair dos cantos sombrios do nosso comodismo e de abraçar aquela oferta irrecusável de vida que Deus insistentemente nos faz. “Abrir os túmulos” é a grande profecia da primeira leitura. O profeta Ezequiel, em tempos de exílio, numa terra estrangeira, em meio a um povo desesperado e sem perspectiva de futuro, reconhece que sua gente estava como enterrada em túmulos. Neste mesmo capítulo (cf. Ex 37,1-10), temos aquela visão do “vale de ossos ressequidos”, uma bela metáfora para a realidade vivida do povo, alimentando a esperança de que o “Espírito do Senhor abrirá os túmulos”. Paulo, na segunda leitura, convida os cristãos a assumir o compromisso Batismal de viver segundo o “Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos ”. O Evangelho, a partir do relato da morte de um amigo de Jesus chamado Lázaro, mostra que o enviado do Pai nos oferece uma vida que desafia todas as mortes. Mais uma vez temos um longo relato, próprio do estilo evangélico de João. Trata-se de uma magnífica catequese (ponto alto, culminante: o “sétimo sinal” realizado por Jesus) que inspira a Comunidade (de ontem e de hoje) a aprofundar o sentido da memória do Senhor: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”! Com numerosos diálogos, acréscimos, comentários, explicações, esta nova realidade é apresentada: a morte não tem a última palavra sobre a vida dada e renovada pela adesão ao Enviado de Deus. Marta, Maria e Lázaro simbolizam toda comunidade de fé, que vive e se encaminha na amizade e proximidade com Jesus. Como representantes da “fraternidade humana”, eles vivem as experiências de abandono, de crise de fé e de sentimentos contraditórios. Jesus, após o retardo de “três dias”, chega Betânia. Lázaro já está sepultado havia “quatro dias”. Marta, quando ouviu dizer que Jesus estava chegando, correu ao seu encontro, e disse-lhe: “Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido”, palavras que Maria dirá também a Jesus um pouco adiante. Com estas palavras, as duas irmãs, cada uma por sua vez, expressam a sua fé de que Jesus podia curar os doentes, mas mostram também a sua desilusão por Ele não ter chegado a tempo! A ausência de Jesus leva o irão à morte. O diálogo que se segue entre Jesus e as duas mulheres é de uma revelação divina e de uma profissão de fé imperdíveis, de uma grandeza inefável. Mas vivemos ainda grandes desafios: Superar o sentimento de abandono, o “mal cheiro”, a “pedra” que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, as “ataduras” que nos prendem à tantas mortes. Neste belo relato, há muita orientação que torna atual a pergunta: A presença de Jesus impede a morte de nossos irmãos? Que pedras precisam ser tiradas de nossos túmulos? Que ataduras impedem-nos de caminhar para a vida? Que nesta semana, os exercícios quaresmais, continuem nos impulsionando no caminho e desejo de nova vida! – Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ