Domingo de Ramos
“Bendito o que vem em nome do Senhor”- Mt 26,14-27,66 – Domingo de Ramos – “Sendo este domingo o início da Semana Santa, vamos nos dedicar a contemplar os mistérios que se celebram nesta chamada Semana Maior. As leituras do domingo de Ramos são como que a porta de entrada do Grande Mistério celebrado durante esta semana! Recuperando o simbolismo do domingo, a Semana Santa inicia e se encerra com a FESTA! No Domingo dos Ramos e da Paixão, o “Povo faz festa para Deus”; no domingo da Páscoa da Ressurreição, “Deus faz festa para o povo”. Na Quinta Feira Santa, Deus alimenta seu povo; na Sexta-feira, Deus dá a vida pelo povo e no Sábado Santo, Deus revela a História de Salvação com fogo, palavra, água e comunhão. A conclusão é a Páscoa da ressurreição: vitória sobre a morte, Festa de Deus para o povo, a vida nova do Filho Amado. O Evangelho da Missa de Ramos apresenta a Paixão na perspectiva da Comunidade de Mateus. A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus percebeu que o Pai O chamava a uma missão: anunciar um mundo novo, de justiça, de paz e de amor para toda a humanidade. Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina fazendo o bem, anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus é amor e que não exclui ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos, não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus. Ensinou que os pobres e os excluídos eram os preferidos de Deus, pois tinham um coração mais disponível para acolher o seu Reinado. Avisou aos ricos, aos poderosos, aos bem instalados, que o egoísmo, o orgulho, a autossuficiência, o fechamento conduziam à morte. A missão de Jesus entrou em choque com a atmosfera de egoísmo e de opressão que dominava o mundo de então. Sem nos deter nos relatos, tanto dos Evangelhos como nas demais leituras da liturgia deste dia, lancemos nosso olhar sobre a entrada “triunfal” de Jesus em Jerusalém. No contexto da época, chamar de “triunfal” uma tal entrada, poderia parecer ironia. As entradas triunfais nas cidades de então, eram celebrações dos triunfos e do poder dos grandes. Os homenageados vinham montados em cavalos especiais, com coroas de louro em suas cabeças. Jesus entra montado num jumento, que não estava treinado para ser montado e ainda “emprestado”. Os seus discípulos, junto com parcela do povo, improvisam ramos de oliveira e aclamam: “Bendito o que vem em nome do Senhor”.. O relato é inspirado no profeta Zacarias que, em tempos idos, procurava reanimar o povo desanimado, anunciando a chegada de um Messias, rei pobre e pastor. Este Messias, anunciado por Zacarias, era bem diferente dos reis das nações. Enquanto estes faziam questão de apresentar-se publicamente com toda a pompa, montados em cavalos imponentes, Zacarias prevê um rei que iria entrar em Jerusalém montado num jumento, o animal do pequeno agricultor. O seu reino não seria de dominação, opulência e opressão, mas de paz, de justiça e de solidariedade. Certamente, nestes tempos atuais, se faz necessário resgatar o sentido da entrada de Jesus em Jerusalém e não se deixar levar pelo folclore. Quando falamos da “entrada triunfal”, lembremo-nos que é o “triunfo” da fraqueza de Deus, da Cruz, do projeto do Reino. Celebrar a memória deste evento deveria nos levar a um compromisso maior com a construção dum mundo de paz verdadeira, fruto de justiça, partilha e solidariedade. Que a Fraternidade e a Moradia também “triunfem” entre nós. Que a Coleta Nacional da CF seja também um “triunfo” sobre todas as formas de acúmulo e egoísmo. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ