5º Domingo da Páscoa
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” – Jo 14,1-12 – O 5º domingo da Páscoa nos ajuda a mergulhar na realidade da nova comunidade que nasceu da ressurreição de Jesus, mas que passou pela cruz. A realidade da cruz ajuda a manter os pés no chão da vida, com seus limites e fragilidades, desilusões e dores, mas a fé na ressurreição faz brilhar a luz no horizonte cotidiano e olhar para a comunidade da Nova Aliança. A primeira Leitura, dos Atos dos Apóstolos, recorda-nos que o anúncio da Boa Nova se “expandia” e gerava entusiasmo entre os seguidores de Jesus. A realidade da cruz, porém, se fazia presente sempre. Aparecem problemas na convivência entre pessoas com ideias e experiências de vida diferentes. Havia um clima de tensão entre “judeus” e “helenistas”. No caso, a forma diferenciada no cuidado das mulheres pobres e viúvas. O diálogo e a oração levou-os a encontrar saídas segundo a sabedoria do Evangelho, sob a inspiração do Espírito de Jesus. Surge o ministério do diaconato Na segunda leitura, mais uma vez da carta de Pedro, o autor exorta os cristãos a manterem-se fiéis na sua fé, apesar das cruzes cotidianas. Jesus, a “pedra angular”, passou pela experiência da paixão e da cruz, mas chegou à ressurreição. Somos exortados a cultivar a esperança, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coerência e fidelidade. O Evangelho, cronologicamente, parece um tanto deslocado do ritmo do tempo pascal, assim como o do “Bom Pastor”, do quarto domingo. Literariamente, as narrativas anteriores ao texto deste dia, tratam da entrada de Jesus em Jerusalém, da ceia e do lava-pés, seguindo com um longo “discurso-testamento” (cf Jo 14-17), cujo inicio é relatado neste domingo. Olhando o texto mais de perto, vemos que, pouco depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus avisou que estava chegando a “sua hora”. Os discípulos certamente ficaram inquietos e preocupados. Então Jesus começa por acalmá-los e confortá-los: “não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim”. Tudo o que vai acontecer é doloroso, sim, mas o Pai não permitirá que a maldade seja a última palavra da história. Ele mostra que está se preparando para ir ao encontro do Pai e que vai preparar um “lugar” para os discípulos. Mas é preciso seguir o caminho da cruz. Os discípulos não compreendem e fazem perguntas sobre o “caminho”. A bem da verdade, trata-se de uma pergunta estranha, pois estão a caminho com Jesus desde a Galileia. Tudo indica que a pergunta não busca resposta em si, mas revela que os discípulos rejeitam o caminho da cruz. Jesus mostra que este caminho não é possibilidade humana. Ele oferece o dom do Espírito Santo para que se possa percorrer este caminho, pois Ele o “Caminho, a Verdade e a Vida”. “Eu sou o caminho”, ou seja, a estrada que indica a direção. É a liberdade que nasce da coragem de partir, de ser “Igreja em saída”. Não se trata de “ponto de chegada”, mas de “caminhar”, de “seguir”. É movimento permanente. Eu sou a “verdade”. Não se trata de uma definição estática, mas é a dinâmica que faz a vida florescer. Jesus é o cultivador do jardim da verdade. Eu sou a “vida”, o grito contra a morte, a violência , a autodestruição. Sou o futuro, o amor, a Páscoa. A última palavra de Jesus que o nosso texto nos traz é pedir aos discípulos que continuem a Sua obra: “quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vão para o Pai”. Pois os discípulos, ao realizarem as obras de Jesus, serão testemunhas do projeto de Jesus no mundo, fazendo com que a humanidade, seguindo o “caminho”, chegando ao conhecimento da “verdade”, alcançará a “vida” plena. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ