6º Domingo da Páscoa
“Não vos deixarei órfãos” – Jo 14,15-21- A liturgia do 6º Domingo da Páscoa já vai nos sintonizando com a Festa de Pentecostes, a “vinda do Espírito Santo, o nascimento da Igreja”! O trabalho evangelizador de Filipe, iniciando Comunidades na Samaria, nos traz a alegre certeza da presença de Deus na caminhada da Igreja (Primeira Leitura). Na carta de Pedro somos convocados a estar prontos para “dar as razões da nossa Esperança” (Segunda Leitura)! Em continuidade ao Evangelho do 5º domingo, recebemos a bela afirmação de Jesus: “não vos deixarei órfãos”, prometendo-nos o envio de Outro Consolador, Companheiro, Advogado: o Espírito Santo, Espírito da Verdade. Cristo, que doou sua vida, é modelo para todo o sempre e é segundo o seu Espírito que praticaremos o seu mandamento. Prestando bem atenção ao texto, o diálogo de Jesus com sua Comunidade se dá no contexto da última ceia: ciente da decisão que as autoridades judaicas haviam tomado sobre sua morte, Jesus reúne com os seus discípulos, lava-lhes os pés e faz a eles suas últimas recomendações. As suas palavras soam como “testamento final”. Ele sabe que vai partir para o Pai e que os discípulos vão continuar no mundo. Estes ficam assustados, amedrontados, sentem-se traídos, sem compreender a extensão das palavras de Jesus. No entanto, Ele promete que não vai abandoná-los, não vai deixá-los sozinhos: “Não vos deixarei órfãos”. A palavra “órfão” é muito significativa na Sagrada Escritura; no “órfão” se concentra a ideia do desvalido, do desamparado, da vítima dos poderosos e de todas as injustiças. Jesus não deixará seus discípulos na “orfandade”. Os discípulos, porém, devem manter-se fiéis no seguimento de Jesus e amar como Ele amou. Este amor se manifesta no cumprimento dos mandamentos que deixou. Mas os mandamentos dEle não são o cumprimento de leis e normas externas… Sabemos que lideres religiosos na época de Jesus haviam estabelecido 613 leis para serem observadas externamente. Jesus pede que seus discípulos observem seus mandamentos: amar como ele amou. Esta presença amorosa de Jesus se dará pela presença do “Paráclito”, (palavra jurídica grega que significa “aquele que ajuda ou defende o acusado”). No contexto do Evangelho de João, diante de um mundo que acusa, persegue e mata, o Paráclito é o “advogado”, o “auxiliar”, o “defensor”, o “consolador”, o “intercessor”. Enquanto Jesus esteve com seus discípulos, Ele os ensinou e os protegeu. Retornando ao Pai, o Espírito orientará e cuidará da comunidade. O Espírito será a memória viva de Jesus, ajudando-os a viver e interpretar a Boa Nova de Jesus ao longo de toda a história. Na comunidade dos discípulos e através dela, realiza-se a ação salvadora de Deus no mundo.