Solenidade da Ascensão de Jesus

12/05/2021

Ir, proclamar, expulsar, impor as mãos – Mc 16,15-20 – Solenidade da Ascensão de Jesus – Esta festa nos revela que, no final do caminho, está a plenitude da vida. Por isto podemos esperar, mesmo que seja “contra toda esperança”. Antes de tudo, porém, a Festa da Ascensão recorda o “mandato missionário” dirigido aos discípulos. Tanto a primeira leitura do livro dos Atos, quanto o Evangelho estão perpassados pela necessidade dos discípulos tomarem consciência da sua missão e do seu papel no mundo. Segundo os estudiosos, Mc 16,15-20 é um texto que se distingue do conjunto do Evangelho de Marcos, em suas palavras, em seu estilo e em seu conteúdo. A bem da verdade, o Evangelho de Marcos teria sua conclusão em 16,8, quando as mulheres voltam para casa com medo e nada dizem sobre o que ocorreu em sua ida ao túmulo. Mas a fé na ressurreição era a força que sustentava as comunidades naquele contexto de perseguição, enfermidades, atuaçāo diabólica, desentendimentos, mortes. Então houve este acréscimo que constitui uma pérola preciosa para iluminar a experiência concreta vivida pelos discípulos. O silêncio e o medo das mulheres representa o “silêncio e o medo” dos discípulos, que preferem ficar “parados olhando para os céus”. O cenário que o evangelista  descreve, mostra  os discípulos reagindo de uma forma muito negativa ao fato de Jesus já não estar com eles. Na manhã da ressurreição, eles estavam “aflitos e choravam” (Mc 16,10); depois, ao ouvirem o testemunho das mulheres que encontraram Jesus ressuscitado, “não creram” (cf. Mc 16,11). Negam-se crer no testemunho de outros dois que caminharam com Jesus (Mc 16,13). Situação muito semelhante a que muitos vivemos nestes tempos atuais. Nossa fé se abala diante de tanta injustiça, violência, morte, desentendimentos entre pessoas, povos e nações, com guerras fratricidas e uma pandemia que parece não ter fim. Como os discípulos, temos dificuldade de ir em frente e continuar na aventura que começamos com Jesus. Temos medo de arriscar, de caminhar no escuro, de permanecer na dinâmica do seguimento. Então aparece Jesus ressuscitado que, sem censurar e nem questionar, confere aos discípulos o “mandato missionário”: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (16,15). Haverá “salvação” para quem “crer e for batizado” (cf. Mc 16,16). A presença da salvação de Deus vai se manifestar nos gestos a serem realizados pelos discípulos, que “expulsarão os demônios em meu nome”, ou seja,  vencerão a injustiça e a opressão, a violência e as guerras, e tantas outras manifestações diabólicas.  “Falarão novas línguas”, isto é, serão arautos da paz e do entendimento entre os povos.  E “quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”, pois levarão a esperança e a vida nova a todos os que sofrem e que são portadoras de doenças. (Poderíamos dizer que a “imposição de mãos”, mãos do cuidado, da generosidade, da partilha, da solidariedade são o caminho da cura nesta trágica pandemia atual). E o evangelista conclui, em sua chave de ouro do Evangelho, que Jesus, em sua plenitude de poder e de serviço, “sentado à direita de Deus”, estará com seus discípulos, “cooperando… e confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam”  (Mc 16,20). Assim, a festa da Ascensão do Senhor, neste ano de 2021, quer ser a grande festa da Esperança  e da Confiança. Jesus se elevou aos céus e quer elevar toda a humanidade ao seu destino de vida plena. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ