10º Domingo do Tempo Comum

05/06/2026

“Eu vim chamar…os pecadores” – Mt 9,9-13 – Neste 10º domingo do Tempo Comum, do Ano A, a liturgia volta a nos mergulhar no Evangelho de Mateus. O foco principal do Evangelho deste domingo é a misericórdia. “Quero misericórdia e não o sacrifício”. A atitude de compaixão e acolhida dos pecadores, excluídos e impuros, está acima de qualquer ato externo de culto ou de observância da Lei. Na primeira leitura, o profeta Oseias denuncia a superficialidade de práticas religiosas, que mais   tratam de manipular Deus do que buscar um amor verdadeiro. Paulo, na segunda leitura, mostra que a única coisa essencial é a fé. Toma como exemplo a figura de Abraão, uma figura anterior à Lei de Moisés, mas cuja adesão ao projeto de Deus foi total, incondicional e plena. Abraão é modelo de fé e não de prática das obras da Lei. Olhemos o Evangelho deste dia: o texto faz parte de um bloco narrativo no qual Jesus, por meio de palavras e ações, anuncia o Reino de Deus. O texto que nos é proposto neste dia é o chamado do publicano Mateus, um “pecador público”, seguido do banquete na casa dele e a controvérsia com os fariseus. Consideremos que os publicanos estavam catalogados como “pecadores públicos”. Tinham a fama de explorarem os pobres. Eram considerados semelhantes aos ladrões, aos pagãos, aos assassinos e às prostitutas. Eram vistos pelos fariseus como impuros permanentes, até sem condições de fazer penitência, pois eram incapazes de reconhecer a quem haviam defraudado. Eram gente desclassificada, impura, considerada amaldiçoada por Deus e, portanto, completamente fora da salvação. Diante disto tudo, chamar Mateus para ser discípulos foi ato realmente escandaloso para os fariseus. Para agravar ainda mais, Jesus aceita sentar-se à mesa com Mateus e seus colaboradores. Sentar-se à mesa era estabelecer laços de familiaridade, de fraternidade, de comunhão. A ação de Jesus, neste sentido, foi um atentado contra a moral e os bons costumes da lei, como também uma verdadeira provocação, uma reviravolta na concepção de Deus e na prática religiosa. O relato do chamado de Mateus, em si, é semelhante ao dos demais discípulos. Jesus chama quem Ele quer e estes, deixam tudo e seguem a Jesus. Os “chamados” não são “super-homens”, seres perfeitos e santos. São pessoas normais, que vivem uma vida normal, que trabalham, que lutam. No relato da vocação de Mateus há porém um diferencial: Jesus chama um cobrador de impostos, uma pessoa desqualificada, excluída da vida social e religiosa do Povo de Deus. O chamado de Mateus, em si mesmo, já é um grande anúncio: no Reino de Deus há lugar para todos. O mesmo ocorre no banquete que segue. Depois de convidar o publicano Mateus a integrar o seu grupo de discípulos, Jesus sentou-Se à mesa com os publicanos e pecadores. O “banquete” era, para a mentalidade judaica, o lugar do encontro, da fraternidade, onde os convivas estabeleciam laços de família e de comunhão. O “banquete”, para Jesus, é o símbolo mais apropriado do “Reino” de fraternidade, de comunhão, de amor. Todos, sem excepção, são convidados ao banquete do Reino. A controvérsia com os fariseus, que se achavam os únicos merecedores de salvação, leva Jesus a pronunciar as grandes sentenças: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ