11º Domingo do Tempo Comum

10/06/2026

“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” – Mt 9,36-10,8 – A liturgia do Tempo Comum nos mergulha na caminhada da Igreja ao longo da história, rumo à salvação, que se concretiza por meio daquelas pessoas que Deus chama e envia para serem sinais vivos de seu amor e testemunhas de sua misericórdia. A primeira leitura, do livro do Êxodo, nos recorda a caminhada do povo pelo deserto, até chegar ao Sinai, no qual Deus se revela como o Deus da Aliança, o Deus Libertador que assume a nação como seu povo. Na segunda Leitura, da carta aos Romanos, lemos que Deus ama a comunidade dos discípulos e sua missão é testemunhar ao mundo este amor de Deus. O Evangelho deste dia faz parte de um discurso missionário, típico de Mateus. O evangelista inicia o relato mostrando que a razão da missão é revelar a solicitude de Deus, que quer oferecer à humanidade a salvação de Deus. A comunidade para a qual este Evangelho foi escrito, é composta por pessoas de origem judaica em sua grande maioria. Daí que Mateus vai transmitir a mensagem de Jesus com imagens retiradas do Antigo Testamento, muito familiares aos judeu-cristãos. Na década de 80, época em que o Evangelho foi escrito, Mateus descreve a realidade da comunidade como “ovelhas sem pastor”, gente abatida, desnorteada, em profunda crise. Jesus se dirige aos discípulos e os alerta que a messe é grande e são poucos os trabalhadores e que roguem ao Senhor da messe que mande trabalhadores. É emblemático que Jesus não chame aqui “seguidores”, mas “trabalhadores”, “operários”. Não se trata apenas de “seguidores de Jesus”, mas ele precisa de operários, pessoas que “operam”, que agem, que realizem “obras. Segue então o chamado dos discípulos com a tarefa de “de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades”. A iniciativa é de Jesus. São doze os que ele chama, um número simbólico, que lembra as doze tribos de Israel e representa todo o povo de Deus. Então Jesus define os destinatários da missão: “as ovelhas perdidas da casa de Israel”. Precisa começar em casa, mas como houve “rejeição em casa”, o anúncio vai se dirigir a todas as nações. Os sinais do agir dos “operários”: a cura dos doentes, a ressurreição dos mortos, a expulsão dos demônios. O anúncio não deve constar apenas de palavras, mas de gestos concretos que sejam sinal vivo dessa libertação que o “Reino” traz. Isto tudo realizado na dinâmica do Reino: “recebestes de graça, dai de graça”. A missão dos discípulos é plena continuidade da missão de Jesus. A meta não é outra senão o “Reino dos Céus”. É também esta a identidade missionária da Igreja. Uma Igreja Sinodal, de comunhão, participação e missão. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ