14º Domingo do Tempo Comum
Vinde a mim… O meu jugo é suave e meu peso é leve – Mt 11, 25-30 – A liturgia do 14º domingo do Tempo Comum nos ensina onde encontrar Deus. Mostra, com toda clareza, que Deus não se revela na arrogância, na superioridade, no orgulho, mas na simplicidade, na humildade, na pobreza, na pequenez. Em poucas palavras, o profeta Zacarias, em torno dos anos 400 a 300 aC, apresenta um enviado de Deus que virá ao encontro da humanidade, revestido de pobreza, de humildade, de simplicidade. Desta forma eliminará os instrumentos de guerra e de morte, e trará a paz tão sonhada pelo gênero humano. São Paulo, na sua carta aos Romanos, convida os fiéis a viverem no “espírito” e não na “carne”. Em outras palavras, faz uma relação entre a primeira leitura e o Evangelho, no qual Jesus louva o Pai por se revelar aos “pequenos”, ou seja, aos que vivem segundo o Espírito e não aos “sábios e entendidos”, os que vivem segundo a “carne”. Observar o contexto do Evangelho ajuda a melhor compreender os “ditos” de Jesus. Ele havia dirigido duras críticas aos habitantes de algumas cidades situadas à volta do lago de Tiberíades, porque foram testemunhas dos gestos e palavras de Jesus, mas permaneceram fechados, autorreferenciais. Certamente trata-se dos “fariseus “e “doutores da Lei”. Demasiados autossuficientes, cheios de si próprios, fixos nas suas leis e tradições, colocavam um pesado jugo sobre os “cansados e abatidos”. Jesus percebe que a proposta rejeitada pelos habitantes destas cidades, é acolhida pelos pequenos, os pobres, os marginalizados, os desiludidos com a religião “oficial”, as multidões que Jesus encontrava pelos caminhos da Galileia. O primeiro “dito” é uma de louvor que Jesus dirige ao Pai, porque Ele “escondeu estas coisas” aos “sábios e inteligentes” e as revelou aos “pequeninos”. Segue um segundo dito, relacionado com o primeiro no qual, no qual Jesus mostra o que foi escondido dos “sábios e inteligentes”. Eles não alcançam o “conhecimento” de Deus, ou seja, não alcançam a experiência íntima e profunda de Deus. Estão convencidos de que o conhecimento e a observância da Lei é o que os coloca na intimidade com Deus. Para Jesus, a intimidade com Deus só se alcança pela adesão livre e sincera ao Senhor. A terceira sentença é um convite a ir ao encontro de Jesus: “Vinde a mim” – “tomai sobre vós o meu jugo”. “Jugo”, uma canga de madeira que atrelava o gado; de modo figurado, era símbolo de opressão política. Em nosso texto, certamente se trata do peso da Lei: 613 leis que deveriam ser observadas. Leis, cujo sentido originário tinha a finalidade de defesa dos mais fracos, tornou-se um fardo pesado, impossível de ser observado. Isto gerava forte sentimento de culpa. A Lei aprisionava, ao invés de libertar, e afastava o ser humano de Deus, em lugar de os conduzir para a comunhão com Deus. Jesus veio libertar da escravidão da Lei, que excluía os pecadores, os publicanos, as mulheres, os doentes. O povo simples não tinha condições de cumprir todos os ritos da Lei. Assim sendo, o dito de Jesus é um dito revolucionário, tantas vezes lido de forma intimista, de consolo pessoal. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ