15º Domingo do Tempo Comum
“Disse muitas coisas em parábolas” – Mt 13,1-23 – A liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum tem seu eixo central na Palavra de Deus e revela que a Palavra é o coração da vida da Igreja. A primeira leitura, do Profeta Isaías, a partir do universo agrícola, evidencia a fecundidade da Palavra. É sempre eficaz e produz os frutos esperados. A segunda Leitura, da carta de Paulo aos Romanos, não fala diretamente da Palavra, mas para viver segundo o Espírito, o caminho é se orientar pela Palavra. O Evangelho propõe uma reflexão sobre a forma como acolhemos a Palavra e o resultado de uma boa acolhida. Olhando mais de perto o Evangelho deste domingo, vemos que se trata de uma parábola, com traços de alegoria, pois traz explicações sobre o simbolismo. Neste e nos próximos domingos estaremos em contato com sete “parábolas de Jesus”. A “parábola” é um gênero literário de imagens ou comparações que provocam reflexão/ participação do ouvinte. Diversos povos usam este recurso literário de imagens e comparações, ao invés de discursos lógicos, doutrinas ou definições. Nos Evangelhos, Jesus ensina através de gestos e parábolas. O desafio para a cultura ocidental é ler por trás das palavras e compreender esta forma de comunicação. A parábola deste domingo é a do semeador e da semente, dos terrenos e dos resultados! Uma das mais conhecidas e também das mais desafiadoras. O relato está dividido em três partes: uma primeira é a parábola em si; segue um conjunto de “ditos” sobre a função da parábola; a terceira é a explicação da mesma. Esta composição revela que a parábola, por mais simples que pareça, é de uma certa complexidade. Segundo os estudiosos, a parábola parte da realidade agrícola usada na Palestina. Primeiro o agricultor lançava as sementes e depois arava a terra. Isto fazia com que as sementes caíssem em diferentes terrenos. Há sempre a questão a respeito da forma como cada terreno, ( cada comunidade, pessoa, coração) acolhe a semente. Corre-se até o risco de fazer interpretações moralizantes. A forma de acolher a semente não seria o mais significativo. O que é verdadeiramente significativo é a quantidade espantosa de frutos que a semente lançada na “boa terra” produz… Tendo em conta que, na época, uma colheita de “sete por um” era considerada farta, os “cem”, “sessenta” e “trinta por um” deviam parecer aos ouvintes de Jesus algo de surpreendente, de exagerado. A Palavra de Deus é o maior tesouro que se pode possuir. Ela gera frutos abundantes. E o próprio Deus não exclui ou segrega os muitos terrenos onde semeia. Ele acredita e espera que sua semeadura gerará frutos abundantes. Temos então uma bela exortação, no sentido de acolher a Palavra de Jesus, a verdadeira semente/parábola de Deus. Ela é o eixo central da vida da Igreja. Sem compreender e acolher esta Vida entregue, “grão que cai na terra e produz muito fruto”, não seremos verdadeiros “discípulos missionários!”. Ir. Zenilda Luzia Petry – FSJ