Páscoa de Irmã Beatriz Klaumann
Irmã Beatriz Klaumann – *02/05/1934 + 23/07/2026
Irmã Beatriz Klaumann, filha de Humberto Klaumann e Maria Warmling Klaumann, nasceu no dia 2 de maio de 1934, em Santa Tereza, município de Salto Grande, hoje Ituporanga/SC. Nascida em uma família profundamente religiosa.
Desde pequena, sentia-se atraída pela vida religiosa. O tempo foi passando e esse desejo só aumentava. Conversava frequentemente com seus pais sobre o anseio de tornar-se religiosa. Gostava de rezar o terço em família, prática que realizavam diariamente após o jantar, todos reunidos sob a liderança da mãe.
Aos 16 anos, pediu aos pais para ingressar no convento e, ao receber uma resposta positiva, partiu para o convento das Irmãs da Imaculada Conceição, em São Paulo. Permaneceu ali por quatro anos, mas, com o tempo, foi percebendo que o estilo de vida daquela Congregação já não correspondia ao chamado que sentia em seu coração. Passou, então, a rezar intensamente, pedindo a Deus que lhe indicasse o caminho que desejava para sua vida.
Em 1955, decidiu retornar à casa dos pais e, após três meses, manifestou novamente o desejo de ingressar em outra Congregação. Os pais a levaram para conhecer as Irmãs do Hospital Bom Jesus, em Ituporanga. Lá, conversou com Irmã Eduarda sobre seu desejo de ser religiosa, sendo acolhida com muita alegria. No dia 28 de outubro daquele mesmo ano, Irmã Eduarda a levou para Angelina, onde, segundo suas próprias palavras, sentiu-se feliz e realizada. Fez seis meses de aspirantado e, logo depois, ingressou no postulantado. Iniciou o seu noviciado em 1956. Após o ano canônico, passou a trabalhar na farmácia do Hospital Santo Antônio, em Blumenau. No dia 16 de julho de 1959, professou seus primeiros votos religiosos e, em 16 de julho de 1964, com grande alegria e fé, fez sua entrega definitiva a Deus pela Profissão Perpétua.
Em 1961, foi transferida para o Sanatório São Roque, em Piraquara/PR, onde trabalhou na farmácia. Nos anos seguintes, exerceu sua missão também no Hospital Santo Antônio, em Blumenau, e 1971, retornou ao Sanatório São Roque, sendo depois enviada para Dom Joaquim, em Brusque, onde coordenou os trabalhos internos e atuou na farmácia do hospital.De 1977 até o ano 1980, viveu e trabalhou para a Maternidade Nossa Senhora das Graças, em Ituporanga/SC. Em seguida, integrou a Fraternidade Bom Jesus e, posteriormente, a Fraternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Angelina, onde concluiu o Ensino Médio.
Em 1983, foi para Florianópolis, onde realizou o curso Técnico em Enfermagem. Após a conclusão, retornou ao Hospital Bom Jesus, dedicando-se especialmente aos setores de Enfermagem, Raio X e Farmácia. Em 1992, assumiu a coordenação do Hospital Madre Alphonsa, em Witmarsum, retornando no ano seguinte ao Hospital Bom Jesus. Em 1999, iniciou o curso de Radiologia Médica, permanecendo no Hospital Bom Jesus, onde realizou sua missão por 24 anos.
No ano de 2017, foi transferida para a Fraternidade Nossa Senhora da Conceição, em Angelina/SC, onde passou a cuidar dos serviços internos da casa das Irmãs e da Capela da Fraternidade, preparando as celebrações, zelando pelas alfaias e dedicando-se, com carinho, à visita aos doentes do hospital.
Ao celebrar o Jubileu de 50 anos de Vida Religiosa Consagrada, em 2009, escreveu:” sinto-me feliz no que faço. Não importa minha idade. Em tudo, só Deus me basta. Quero continuar servindo os irmãos através do meu trabalho e sendo, para a minha Fraternidade Religiosa, sinal da presença misericordiosa de Deus. Obrigada, meu Deus, por tantas graças recebidas durante estes 50 anos de vida consagrada. Agradeço também à Congregação, que me acolheu e continua acolhendo com tanto amor. Por tudo, obrigada, Senhor!”
Quando celebrou o Jubileu de 60 anos de Vida Religiosa Consagrada, afirmou: “Obrigada”, Senhor, pelo dom da minha vida. Quero dizer e repetir sempre: SÓ DEUS ME BASTA! Só a Ele pertenço e serei feliz. Já nos 50 anos e agora nos 60, tudo é puro amor. A graça como Religiosa Franciscana de São José me leva apenas a agradecer e louvar a este Deus de Amor, Bondade e Misericórdia. Agradeço à Congregação por me ter acolhido e feito crescer no Espírito de Deus. Madre Alphonsa, a Fundadora, disse: ‘Bendita a mulher de Deus!’ Por isso, minha gratidão é pela santidade ensinada e pelos frutos colhidos, pelas oportunidades alcançadas e vivenciadas nestes 60 anos de consagração a Deus. Também sou grata pela vida de trabalho na farmácia, na radiologia e nos serviços de saúde em nossos hospitais, especialmente no Hospital Bom Jesus, em Ituporanga, e pelo serviço prestado durante 20 anos no Coral Santo Estêvão, em Ituporanga. Por tudo, minha gratidão! Tenho muito ainda a aprender sobre as coisas de Deus. Com Sua graça e amor, acompanhada da grande Mãe Maria Santíssima, medianeira de todo bem, digo hoje e sempre: Obrigada, Senhor, por Vosso imenso amor. Por tudo, gratidão à Congregação. Amém!”
No ano de 2022, foi transferida para a Fraternidade Nossa Senhora das Graças, em Ituporanga, onde residiu até setembro de 2025. No ano passado, em razão do agravamento de seu estado de saúde, foi transferida para a Ala São José, do Hospital Bom Jesus, onde permaneceu até o dia de sua Páscoa definitiva. Em 2024, teve a graça de celebrar, com profunda gratidão a Deus, o Jubileu de 65 anos de Vida Religiosa Consagrada.
Irmã Beatriz foi uma religiosa de profunda espiritualidade. Cultivava intensamente a vida de oração e as devoções, manifestando sempre grande amor à Sagrada Eucaristia e à Virgem Maria. Gostava de participar de todos os momentos de oração da fraternidade e nos outros momentos era comum vê-la rezando com o seu tercinho na mão. Na convivência fraterna, destacou-se pela humildade, discrição, paciência e pelo cultivo do silêncio. Era muito fraterna, alegre e caridosa com as Irmãs e com os pacientes, a quem atendia com amor, delicadeza e reverência.
Uma de suas marcas mais belas foi a gratidão. Em todas as circunstâncias, por tudo e por todos, era sempre profundamente agradecida. De seus lábios brotava, espontaneamente e com sinceridade de coração, um sempre: “Muito obrigada!”
Hoje, nós, Irmãs Franciscanas de São José, também queremos elevar a Deus o nosso mais sincero agradecimento pelo dom que foi a vida de Irmã Beatriz para a Congregação, para a Igreja, para sua família e para todos aqueles que tiveram a graça de conviver com ela.
